Quarta-feira, 22.06.2011
Era, sem dúvida, uma das coleções mais aguardadas da semana de moda. Pedro Lourenço, de família indiscutivelmente talentosa, já fazia sucesso em Paris e, logo no início do evento de São Paulo, tivemos a notícia de que Lady Gaga usara uma de suas peças.
Pedro provou que todo seu sucesso não se deve só à paternidade de Reinaldo e Glória Coelho, e sim também à uma vocação nata. Com tecidos importados e produção brasileira, Pedro criou uma coleção sofisticada e elegante.
Formas retas e ao mesmo tempo orgânicas que acompanhavam discretamente as curvas dos corpos das modelos; as pences não existiam: toda modelagem foi pensada para não haver pences e criar essa sinuosidade sutil; com couro francês finíssimo e tweed, Pedro fez um jogo interessante de revelar e esconder as "estampas" das roupas: um simples sistema magnético interno possibilitava que a roupa se dobrasse e se alto-sustentasse, revelando os grafismos do tecido da parte de dentro da roupa; e o acabamento era visivelmente impecável com detalhes luxuosos que, para o estilista, provavelmente fazem toda a diferença (como o zíper banhado a ouro).
E foi para conferir esse primor de perto, podendo ouvir a explicação do estilista e tocar as peças, que Pedro fez um desfile exclusivíssimo, só para a imprensa. Pode parecer prepotência ou arrogância, mas não é difícil entender os motivos. Pedro Lourenço precisava chamar a atenção silenciosamente da comunicação de Moda brasileira, para mostrar que viajou mas voltou e trouxe ideias novas para adicionar a essa tal Moda brasileira tudo que ela precisa: sofisticação, elegância, bom acabamento, criatividade e - por que não? - brasilidade. É um enfant promissor, trazendo para a nossa Moda técnicas de alta-costura e reapresentando ao Brasil algo que não se vê desde Dener Pamplona: o prêt-a-porter de luxo. De verdade.

































